Seis ex-presidentes da república torraram R$ 42 milhões, de 2021 até hoje, com seguranças, motoristas, assessores, passagens e diárias — fora uma frota de veículos de luxo com despesas sob sigilo. Tudo pago pelo contribuinte. Dilma Rousseff lidera a gastança, com R$ 9,3 milhões, seguida de perto pelo ex-presidente Fernando Collor, com R$ 8,9 milhões. Ele está preso, mas continua dando prejuízo, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que já gastou R$ 5 milhões. Lula manteve as mordomias de ex-presidente nos 580 dias em que esteve preso na Superintendência da PF, no Paraná. Voltará a recebê-las quando terminar o atual mandato.
A maior despesa é com os servidores comissionados que formam a equipe de apoio dos ex-presidentes — seguranças, motoristas e assessores —, totalizando R$ 26 milhões. As passagens e diárias internacionais custaram R$ 3,4 milhões, sendo R$ 2,3 milhões em diárias. As passagens e diárias nacionais somaram R$ 8,4 milhões — R$ 5,3 milhões com passagens e R$ 3,1 milhões com diárias. Em 2025, os atuais ex-presidentes tiveram gastos de R$ 9,5 milhões.
O esbanjamento com Dilma
A ex-presidente Dilma, que trabalha no exterior como presidente dos BRCs, com salário de US$ 50 mil, tem despesas extras. Sua equipe de apoio na China já custou R$ 1,5 milhão em ajuda de custo, auxílio-moradia e representação no exterior — despesas típicas de servidores em missão internacional. Em 2023, Dilma Rousseff mantinha as mordomias oferecidas aos demais ex-presidentes da República, mas o custo era alto, somando R$ 1,36 milhão naquele ano.
Como exemplo, dois dos seus seguranças permaneceram em Xangai por 133 dias — do final de março ao início de agosto —, recebendo um total de 264 diárias no valor de R$ 350 mil. A partir de setembro, outro servidor foi lotado na embaixada brasileira naquele país, recebendo salário, auxílio-moradia e indenização de Representação no Exterior (Irex).
Em cinco anos, foram gastos R$ 224 mil com combustível, locação e manutenção de veículos; R$ 1,45 milhão com diárias e passagens para o exterior; R$ 1 milhão com diárias e passagens no país; além de R$ 324 mil com Irex, R$ 260 mil com auxílio-moradia e R$ 805 mil com retribuição básica no exterior. Somadas algumas despesas menores, a conta fechou em R$ 9,3 milhões.
Condenado à prisão na cobertura
Segundo colocado no ranking da gastança, com R$ 8,9 milhões, o ex-presidente e ex-senador Fernando Collor foi preso em 25 de abril do ano passado, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No dia 1º de maio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu-lhe prisão domiciliar, considerando sua saúde — ele sofre de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Cumpre pena em um apartamento com cobertura em Alagoas.
A maior despesa de Collor como ex-presidente foi com seus servidores comissionados: R$ 4,5 milhões. Também gastou muito com viagens nacionais — R$ 1,4 milhão em diárias e R$ 3,9 milhões em passagens, a maioria no trecho Maceió–São Paulo.
As despesas do ex-presidente Jair Bolsonaro somaram R$ 5 milhões desde 2023, quando passou a Presidência a Lula. Foi preso em 22 de novembro do ano passado, por envolvimento na tentativa de golpe de Estado no final de 2022. Suas maiores despesas foram com viagens pelo país — R$ 420 mil em diárias e R$ 1,2 milhão em passagens. As viagens ao exterior somaram R$ 758 mil, sendo R$ 649 mil em diárias. Sua equipe de apoio consumiu R$ 2,5 milhões. Preso desde novembro, continua utilizando as verbas de ex-presidente. Há registros de gastos de R$ 111 mil com a equipe de apoio, mas os dados não são atualizados automaticamente.
Lula: condenação anulada
Lula foi preso em 7 de abril de 2018, condenado por envolvimento no escândalo do Petrolão. Ficou 580 dias na prisão, mantendo as verbas de ex-presidente. Foi solto em novembro de 2019, após o STF mudar o entendimento sobre a prisão em segunda instância. Em 2021, o STF, por 8 votos a 3, anulou sua condenação. Os dados relativos ao então ex-presidente Lula vão de 2021 a 2022. Em 2023, ele reassumiu a Presidência da República.
O ex-presidente Michel Temer gerou gastos de R$ 6,6 milhões de 2021 a 2026, sendo R$ 4,7 milhões com a equipe de apoio. Gastou ainda R$ 600 mil em diárias para o exterior e R$ 87 mil em diárias no país. As despesas com o ex-presidente José Sarney somaram R$ 5 milhões de 2021 a 2026, sendo a maior parte — R$ 4,2 milhões — relativa à sua equipe de apoio. As passagens nacionais somaram R$ 328 mil. Já os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ficaram em R$ 4,2 milhões no período, quase todos referentes à equipe de apoio (R$ 4,1 milhões).
A legalidade das mordomias
O vereador Pedro Rousseff (PT), de Belo Horizonte, ingressou com ação no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) para retirar os benefícios dos ex-presidentes que contam com motoristas, seguranças e assessores. Bolsonaro apresentou recurso ao tribunal.
A relatora do caso, Mônica Sifuentes, afirmou: “A organização de seu acervo pessoal, a gestão de sua correspondência, o auxílio em questões de saúde, a administração de seu patrimônio e o agendamento de visitas de familiares e advogados são exemplos de atividades que se enquadram perfeitamente nos conceitos de apoio pessoal e assessoramento, mas podem se tornar ainda mais críticas e complexas em uma condição de privação de liberdade”.
A Quarta Turma do TRF-6 seguiu a decisão da relatora em 17 de março.
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