O aumento no preço do petróleo, causado pela guerra no Irã, pode impactar preços e, consequentemente, a decisão sobre juros aqui no Brasil, na avaliação de especialistas. O barril passou a rondar os cem dólares desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa.
O economista Luis Carlos Silva, do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá, afirma que o Brasil vive um paradoxo — porque é um grande exportador de petróleo, mas muito dependente de combustíveis para transporte.
“Isso pode afetar a economia, com o chamado efeito cascata: aumentando o preço dos produtos consumidos internamente gerando, com certeza, inflação. A política do Banco Central não dá sinais de redução imediata dos juros. Isso será afetado pelo conflito no Golfo”.
Luis afirma que não só o Brasil, mas o mundo como um todo é afetado pelo conflito no Irã. E quanto mais demorar, pior.
“O que a gente vinha verificando, antes desse conflito, é que a economia mundial dava sinais de recuperação. E agora a gente tá percebendo que a coisa, com certeza, vai tomar outro rumo”.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná, Marcelo Curado, avalia que a política de juros altos e os alimentos têm segurado a inflação no Brasil. O preço do petróleo pode tornar a situação mais difícil, mas o tamanho disso ainda não está claro.
“O choque de petróleo, se consistente, se permanente, afeta preço de uma série de commodities, aí afeita a inflação no Brasil. Mas, por enquanto, isso não está precificado, não está muito claro. O mercado aind anão fez uma leitura final sobre o que é essa guerra do Irã, se é uma guerra transitória ou se é um efeito mais de longo prazo”.
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central, trouxe pela primeira vez um aumento na projeção da taxa básica de juros de 2026, para 12,13% ao ano. Isso ao mesmo tempo em que a previsão pra inflação se manteve em 3,91%.
Além disso, a expectativa para o crescimento econômico foi mantida em 1,82%. O dólar pode terminar o ano a cinco reais e 41 centavos.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















