O Comando Central dos EUA (Centcom), que coordena as operações americanas em curso no Oriente Médio, anunciou neste sábado (11) que iniciou o processo de desminagem no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica que ainda sofre com restrições impostas pelo Irã, país que também é responsável por ter plantado minas na região. O anúncio ocorre enquanto representantes americanos e iranianos discutem um acordo de paz que encerraria a guerra em curso no Oriente Médio, atualmente sob cessar-fogo temporário, e resolveria o impasse sobre a rota.
Segundo o Centcom, dois destróieres da Marinha americana já estão na região, e drones submarinos devem se juntar à missão de desminagem da rota nos próximos dias. O comando militar disse que os navios USS Frank E. Peterson e USS Michael Murphy cruzaram o estreito neste sábado como parte da operação.
“Hoje, começamos o processo de estabelecer uma nova passagem e em breve compartilharemos esse corredor seguro com a indústria marítima para estimular o livre fluxo do comércio”, declarou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom. O presidente Donald Trump também comentou e confirmou a operação ao afirmar, em sua rede social Truth Social, que os EUA estão “começando o processo de limpar o Estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo”. Ele também disse que todos os 28 barcos lançadores de minas do Irã “já estão no fundo do mar”.
Entenda como funciona uma operação de desminagem marítima
Segundo Paul Heslop, do Serviço de Ação contra Minas das Nações Unidas, a desminagem no mar é mais difícil do que em terra porque as minas não ficam paradas. Em entrevista ao site da ONU News, ele explicou que essas minas podem ser levadas pelas correntes marítimas, o que faz com que áreas já consideradas seguras voltem a ser contaminadas durante o processo de desminagem.
De acordo com análise do The New York Times, as minas implantadas pelo Irã no Estreito de Ormuz podem ser de diferentes tipos. Algumas ficam na superfície, outras são presas por cabos logo abaixo da água, há as que ficam no fundo do mar e são acionadas com a passagem de navios, e também existem aquelas fixadas diretamente no casco das embarcações por mergulhadores. A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA estima que o Irã possuía mais de 5 mil minas navais antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.
Para encontrar essas minas, forças navais usam equipamentos subaquáticos controlados à distância, que fazem uma espécie de “varredura” no fundo do mar com o uso de sonar. Também há técnicas para provocar a detonação das minas à distância, simulando a passagem de um navio. Esse método é mais rápido, mas não garante que todas sejam eliminadas. Além disso, condições naturais podem dificultar a operação. Mudanças na temperatura da água, por exemplo, interferem no funcionamento dos equipamentos e tornam mais difícil identificar a localização dos artefatos.
Segundo o The New York Times, a navegação no Estreito de Ormuz pode ser parcialmente normalizada enquanto o processo de desminagem segue em andamento. Para isso, equipes devem mapear áreas livres de minas e estabelecer corredores seguros, sinalizados com bóias.
Segundo analistas, o histórico mostra que esse tipo de operação no mar tende a ser prolongado. Segundo o Times, após o Guerra do Golfo de 1991, quando o Iraque lançou mais de mil minas no Golfo Pérsico, uma força multinacional levou cerca de dois meses para limpar a costa do Kuwait. Embora a tecnologia tenha avançado com o uso de drones submarinos, especialistas militares dos Estados Unidos alertam que operações atuais ainda podem se estender por semanas.
Neste sábado, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que um destróier americano teria sido forçado a recuar da região do estreito sob ameaça de ataque – versão que não foi confirmada pelo Comando Central dos Estados Unidos. Teerã também afirmou que o controle do estreito cabe exclusivamente às autoridades iranianas e classificou a presença naval dos EUA na região como uma ameaça ao cessar-fogo em vigor desde a terça-feira (7).
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