A popularização de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro está transformando o mercado global de alimentos. No Brasil, maior exportador de açúcar, o preço da commodity atingiu nesta semana a menor cotação em cinco anos devido à queda no consumo e ao aumento dos estoques mundiais.
Como esses medicamentos afetam o consumo de açúcar?
Os remédios da classe GLP-1, como a semaglutida, atuam no cérebro e no sistema digestivo para aumentar a sensação de saciedade. Isso faz com que os usuários reduzam drasticamente a ingestão de calorias. O impacto é maior justamente em alimentos ultraprocessados, doces e bebidas açucaradas, que antes eram consumidos em grandes volumes e agora são rejeitados pelos pacientes em tratamento.
Qual foi o impacto real nos preços da commodity?
Neste mês de março de 2026, o valor do açúcar bruto caiu abaixo de US$ 0,14 por libra-peso, o patamar mais baixo em meia década. Em apenas um ano, a queda acumulada chega a 29%. Órgãos oficiais, como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), já citam nominalmente esses medicamentos como um fator de risco real para a demanda global de açúcar.
Como essa tendência atinge o Brasil especificamente?
Sendo o maior produtor e exportador mundial, o Brasil sente o efeito no bolso. Em São Paulo, o preço da saca de açúcar cristal branco recuou para cerca de R$ 98,14 nesta quinta-feira (26/02/2026), o menor valor nominal desde 2020. Dados do Cepea mostram que o valor já caiu 39% desde o início de 2025, evidenciando uma pressão contínua sobre as usinas brasileiras.
O que as empresas de alimentos estão fazendo para reagir?
Analistas do mercado financeiro projetam que, com até 9% da população americana usando esses remédios até 2035, as gigantes do setor alimentício serão forçadas a mudar. A tendência é a redução do tamanho das porções e do teor de açúcar nos produtos para tentar manter a relevância entre consumidores que agora buscam dietas mais saudáveis e proteicas.
Existe uma saída para as usinas de cana-de-açúcar?
Sim, a flexibilidade da indústria brasileira é uma vantagem. As usinas podem decidir desviar a cana que seria usada para fazer açúcar para a produção de etanol. No entanto, especialistas alertam que se todas tomarem essa decisão ao mesmo tempo, haverá um excesso de combustível no mercado, o que poderá derrubar também o preço do etanol nas bombas.
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