Março é mês de conscientização para a prevenção do câncer colorretal, tipo de tumor que afeta o funcionamento do intestino grosso e o reto, geralmente causado por lesões na região do cólon, chamadas de pólipos. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 54 mil novos casos anuais da doença até 2028. 
Mesmo que considerado silencioso, alguns sinais podem indicar seu aparecimento. Entre eles, sangue nas fezes, mudança no funcionamento do intestino, cansaço persistente, perda inexplicável de peso, fraqueza ou anemia e dores abdominais frequentes. A oncologista especialista no tratamento de tumores intestinais, Maria Inez Braghiroli, explica que é preciso ter atenção à recorrência desses sintomas.
“De fato, muitas vezes se normaliza esses sintomas. Mas sintomas persistentes, mudanças no nosso organismo persistentes merecem uma avaliação. E quando se fala de câncer, é muito comum que esses sintomas iniciais sejam facilmente confundidos com outras, outras doenças ou alterações que venham a ser passageiras, mas tudo que persiste merece uma avaliação”.
Segundo a médica, casos de pessoas com idade inferior a 50 anos portadoras da doença têm sido cada vez mais comuns. Maria Inez afirma que alguns fatores podem explicar esse quadro e aumentar os riscos.
“Essa é uma alteração que tem sido vista não só no nosso país, mas em vários países e chama a nossa atenção no sentido de entender por que que isso acontece. Então, nos remete a pensar sempre nos fatores de risco como, por exemplo, alimentação, alimentos ultraprocessados, maior ingestão de gordura e carne vermelha, pouca fibra na dieta”.
Apesar de ser o segundo que mais mata no mundo, o câncer colorretal é um dos tipos mais reversíveis. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores as chances de cura. A melhor forma para detectar a doença é por meio da colonoscopia, um exame que ainda enfrenta desconfiança de parte da população. A médica oncologista Eduarda Tebet é coordenadora nacional da campanha do Março Azul e explica que a desinformação sobre o assunto é um grande obstáculo.
“As pessoas entenderem isso é muito difícil. Por que que eu tenho que fazer um exame se eu não tenho sintoma nenhum? Mas a resposta é simples: porque apesar de não ter sintoma, você pode ter um pólipo que em alguns anos pode se transformar num câncer. O segundo grande desafio, eu acredito, é o preconceito que ainda existe quando a gente fala que vai fazer um exame que vai passar um aparelho pela região anal para investigar o intestino. Então existe um preconceito quanto a isso, existe um pouco de medo de como o exame é feito”.
Embora reconheça que o sistema de saúde público brasileiro é referência mundial, Eduarda Tebet alerta para o fato de muitas localidades ainda sofrerem com pouca estrutura, falta de aparelhagem e profissionais capacitados.
*Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















