O Brasil foi destaque em um dos maiores encontros mundiais da indústria do cacau e do chocolate, realizado em Amsterdã. Nosso país conquistou três medalhas de ouro no evento, sendo reconhecido entre os melhores produtores de cacau do mundo. Entre os vencedores está a Fazenda Santa Cruz, em Itacaré, no sul da Bahia, da produtora rural Cláudia Sá.
“Passa um filme pela cabeça, porque chegar até ali é um caminho longo. Eu acho que todos que chegam ali sabem o tamanho do esforço, não só de uma pessoa, mas de uma equipe. E estar em Amsterdã, no Cacao of Excellence, é como estar num Oscar, né? Então, é similar a essa emoção de chegar ao topo e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade grande, porque, quando a gente chega num lugar desse, o holofote faz com que a gente entenda que a gente passou a ser ali um exemplo”, diz Cláudia.
O processo que torna um cacau excepcional é bastante complexo e envolve cuidados desde o cultivo até a pós-colheita:
“Para um cacau, para uma amêndoa se tornar excelente, não pode haver erro nesse processo. Desde a colheita, que tem que ser no ponto correto de maturação, o acompanhamento dessa fermentação, que vai levar de quatro a sete dias – aí vai depender de vários fatores: clima, variedade. E quando eu falo acompanhamento de fermentação, é, de fato, um acompanhamento de perto ali durante todos esses dias, fazendo prova de corte, medindo temperatura, virando no momento certo, tomando a decisão certa. Depois, vem a secagem, que é outro processo também muito importante. Uma secagem lenta, uma secagem homogênea. Também, de novo, exige a presença de uma pessoa ali observando, sentindo, tomando a decisão certa. E que, muitas vezes, vem de uma sensibilidade. Então, é muito envolvimento, é muita dedicação, para que você consiga essa amostra de alta qualidade capaz de receber um ouro.
Conforme a produtora rural Cláudia Sá, para ganhar o certificado de excelência, as amostras passam por avaliações físicas e sensoriais realizadas por especialistas internacionais:
“Em primeiro lugar, essas amostras têm que ter sido premiadas no concurso nacional, que é um concurso bastante rigoroso também, onde leva em conta não só a qualidade da amêndoa, mas a forma de produzir essa amêndoa: ela tem que ser uma amêndoa sustentável, socialmente e ambientalmente falando. E aí essas amostras de cada país que foram premiadas no seu país de origem vão para o CoEx, que organiza esse concurso, Cacao of Excellence. Esse ano tinham mais de 250 amostras e, dessas 250, foram escolhidas as 50 melhores do mundo. Então, quando a gente chega em Amsterdã, a gente já pode comemorar, porque são todos premiados com a melhor amêndoa de cacau do mundo. Lá, você vai ser bronze, prata ou ouro. Então, você imagine que alegria e que feito o Brasil chegar lá, nas 50 melhores do mundo, e conquistar medalha de ouro para as três amostras que foram para lá.”
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil




















