O Congresso nacional analisa uma proposta que busca transformar a abordagem pedagógica das instituições de ensino no país por meio da instituição da Política Nacional de Saúde Mental, Desenvolvimento Socioemocional e Projeto de Vida na Educação Básica.
Combate ao bullying e valorização emocional
A iniciativa tem como foco principal o fomento ao desenvolvimento integral dos alunos, a consolidação de barreiras de proteção e a prevenção de quadros graves de sofrimento psíquico, abrangendo problemas recorrentes como o bullying, o cyberbullying e casos de automutilação no ambiente escolar.
O texto foi apresentado pela deputada Renata Abreu (Pode-SP) e agora passa por discussões na Câmara dos Deputados.
“O cenário educacional brasileiro enfrenta um desafio que transcende o conteúdo programático tradicional”, justifica a parlamentar. “A ausência de uma política nacional coordenada resulta em ações isoladas e descontinuadas, deixando redes de ensino desamparadas no manejo de conflitos e na identificação precoce de sofrimento emocional.”
Diretrizes e capacitação para educadores
Pela nova regra, as redes de ensino deverão implementar iniciativas contínuas focadas na inteligência emocional, medidas preventivas contra a violência e táticas voltadas para aproximar de vez a comunidade escolar das famílias dos estudantes.
O plano também assegura a capacitação continuada dos professores para que consigam reconhecer antecipadamente sinais de abalo emocional e direcionar os alunos para o suporte especializado adequado. O Ministério da Educação ficará encarregado de produzir cartilhas, protocolos e suportes pedagógicos para auxiliar as instituições.
Além disso, o texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para oficializar que a educação básica deve assegurar o crescimento integral do aluno em âmbitos cognitivos, socioemocionais, físicos, éticos e cidadãos.
Orçamento e fontes de recursos
Para viabilizar financeiramente a implantação das diretrizes, o texto legal aponta fontes específicas de custeio, que compreendem dotações do orçamento, verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), repasses voluntários e ainda 1% da arrecadação federal gerada por apostas de quota fixa.
Os montantes arrecadados serão aplicados prioritariamente na capacitação de equipes, na confecção de conteúdos pedagógicos e no suporte técnico às redes de ensino.
Monitoramento e índices de bem-estar
A estratégia engloba ainda a fundação do Sistema Nacional de Monitoramento do Bem-Estar e Desenvolvimento Integral dos Estudantes, além do Índice Nacional de Bem-Estar e Desenvolvimento Integral dos Estudantes (INBDI).
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) assumirá a responsabilidade de apurar o indicador e divulgar relatórios oficiais em âmbito nacional a cada bienal.
O parâmetro analisará pontos cruciais como o sentimento de pertença, a sensação de segurança, a ocorrência de episódios violentos na escola e o nível das relações interpessoais na comunidade escolar, sendo terminantemente proibido o uso do indicador para penalizações, ranqueamentos individuais ou atos discriminatórios.
“Não se trata apenas de educação, mas de um projeto de nação que visa reduzir a violência escolar e promover a cidadania ética no século 21”, afirma Renata Abreu sobre os reflexos da medida a longo prazo.
Caminho legislativo no Congresso
O texto segue tramitação de caráter conclusivo pelas comissões de Saúde, de Educação, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Para que o texto entre em vigor, o projeto precisa do aval tanto dos deputados federais quanto dos senadores.
Câmara Federal




