Está internada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, a menina Valentina, de 7 anos, que ficou mais de 5 horas sob escombros após o desabamento do prédio em que morava com a família, próximo ao estádio do Maracanã, na zona norte da cidade. Valentina estava consciente e pediu o tempo todo para que a tirassem dos escombros.
O prédio desabou no início da madrugada desta segunda-feira, após fortes chuvas que atingiram toda a cidade na noite de domingo. Segundo a Secretaria de Saúde do município, o estado de saúde de Valentina é estável. A mãe da menina, Michele Martins, de 40 anos, também ficou esse mesmo tempo soterrada e chegou a conversar com os bombeiros, mas não resistiu ao peso dos escombros e foi retirada sem vida.
Outras oito pessoas que estavam no prédio de quatro andares ficaram feridas e foram atendidas em ambulâncias dos bombeiros no local. Uma adolescente de 14 anos foi levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, e já teve alta. O subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel Luciano Sarmento, conta como foi o resgate.
“Eram casas bastante humildes, né, e totalmente colapsadas, com as pessoas sob os escombros. Quando chegamos, algumas pessoas conseguiram sair por elas mesmas, né? Tivemos a felicidade de resgatar duas crianças com vida, né? Uma jovem de 14 anos e uma criança de sete. Um trabalho muito difícil, muito risco, um terreno muito instável, mas tivemos a tranquilidade, retiramos os equipamentos necessários para poder realmente fazer com que tivéssemos essas duas pessoas retiradas, resgatadas e encaminhadas ao hospital.”
Equipes da Defesa Civil do município também correram para o local do desabamento, como explica o subsecretário Rodrigo Gonçalves.
“A gente conseguiu já fazer uma vistoria preliminar, justamente para a gente interditar quatro prédios que estavam no entorno desse que desabou, por conta do risco de novos imóveis de desabamentos. Essa casa que desabou parece que era um imóvel, né, de quatro pavimentos, né? Ela foi construída sem embasamento técnico, né? O que quer dizer isso? Não tinha nenhum engenheiro ou arquiteto que garantisse a sua segurança. E a gente pode ver também, pelos imóveis do entorno, né, a falta de manutenção dessas instalações.”
O produtor Tácio do Simões Ventura, de 30 anos, morava no prédio que desabou e contou que, após receberem pelo celular alerta da Defesa Civil sobre a forte chuva, ouviram um estalo e já correram avisando as pessoas para deixarem suas casas.
Assim que eu vi o estalo, eu peguei e corri para a casa da minha mãe. Eu já vi a parede da casa dela, da sala dela, se abrindo. E aí eu consegui tirar minha mãe correndo.
“Para ele, chama todo mundo que a casa está caindo. Na hora que eu terminei de falar, foi quando ele gritou, a casa toda veio abaixo de uma vez só. Talvez até se a gente tivesse subido, tinha acontecido o que aconteceu com a Valentina, porque a Valentina estava aqui. E aí, assim que a gente gritou, em vez de ela vir para a gente, ela se assustou e entrou para dentro da casa. Foi quando ela ficou também presa nos escombros.”
Segundo ele, os imóveis tinham infiltração. Mais de 50 bombeiros e sete unidades de apoio atuaram no resgate. Da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, Cristiane Ribeiro.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil




















