A retomada do transporte ferroviário de passageiros no norte de Santa Catarina avançou para uma nova fase de articulações em Brasília. Representantes de três associações de municípios catarinenses uniram forças para defender a inclusão da ferrovia EF-485, no trecho entre Mafra e São Francisco do Sul, nos contratos de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA).
O projeto não prevê a construção de uma nova linha ferroviária, e sim o reaproveitamento da estrutura atual. A EF-485 operou o transporte regular de passageiros por 85 anos (entre 1906 e 1991), utilizando as antigas litorinas em seus últimos anos de atividade.
O serviço cortava dez municípios da região: São Francisco do Sul, Araquari, Joinville, Guaramirim, Jaraguá do Sul, Corupá, Campo Alegre, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra. Atualmente, o corredor de 212 quilômetros é utilizado exclusivamente para o transporte de cargas, principalmente grãos destinados ao porto catarinense.
Projeto para trem de passageiros contempla região com 1,6 milhão de habitantes
A mobilização é liderada pela Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc), do Planalto Norte (Amplanorte) e do Vale do Itapocu (Amvali). Juntas, as entidades representam 26 municípios e uma população estimada em 1,6 milhão de habitantes.
A proposta foi apresentada ao Fórum Parlamentar Catarinense, à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à Infra S.A, empresa pública federal brasileira vinculada ao Ministério dos Transportes. Durante reunião na ANTT, os representantes reiteraram que o trecho é considerado ativo e que uma operação regional de passageiros demonstra viabilidade para a mobilidade urbana.
No documento, as associações argumentam que a medida é “urgente” para diversificar os modais de transporte, desafogar as rodovias e oferecer uma alternativa sustentável e segura de deslocamento. “Além de ampliar as alternativas de mobilidade, a iniciativa estimula futuras parcerias público-privadas para viabilizar a operação de passageiros em complementaridade ao transporte de cargas, impulsionando o turismo e a economia regional”, destaca o presidente da Amunesc, Caio Treml.
Nova concessão da Malha Sul abre espaço para retorno de passageiros
Como a linha compartilha a mesma infraestrutura para cargas e passageiros, a ANTT ressaltou que operações futuras exigirão regras contratuais específicas para garantir a convivência segura dos dois serviços. A agência também sugeriu que a região explore o regime de autorizações ferroviárias, modelo legal que permite investimentos privados diretos.
A recomendação é que municípios e empresas interessadas se unam para estruturar estudos de demanda e modelagem financeira. O momento é considerado decisivo pelas lideranças regionais.
A EF-485 integra a Malha Sul, cuja nova concessão tem perspectiva de ser leiloada em 2027. Com a modelagem do contrato em andamento, os municípios buscam confirmar que o transporte de passageiros seja incluído nas discussões sobre o futuro da ferrovia no norte de Santa Catarina.
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