A Justiça do Rio de Janeiro recuou e suspendeu a autorização que permitia ao Vasco da Gama mandar sua partida contra o Boca Juniors, da Argentina, no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. O confronto, válido pela semifinal da Conmebol Sul-Americana, está agendado para o dia 20 de outubro, às 21h30.
Reviravolta no Tribunal de Justiça
A nova determinação foi assinada pela 1ª vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Suely Lopes Magalhães. Ela acolheu o pedido de liminar apresentado pelo Consórcio Fla-Flu Serviços, anulando o efeito da decisão anterior que obrigava a gestão do estádio a disponibilizar o local para o clube cruz-maltino.
Com a decisão, a magistrada determinou a intimação imediata da diretoria vascaína para que comunique à Conmebol o novo local da partida e ajuste a comercialização dos bilhetes. A Polícia Militar também deve ser informada de que o Estádio Nilton Santos, localizado no Engenho de Dentro, está apto para receber o evento esportivo.
Argumentos e riscos de segurança pública
A desembargadora fundamentou seu entendimento apontando que a liberação inicial ocorreu sem que o consórcio responsável pelo Maracanã pudesse se defender. Além disso, ela destacou um fator logístico crítico para a segurança da região no mesmo horário.
“Cabe acrescentar, ainda, o fato notório de que na mesma noite da partida de futebol entre Vasco da Gama e Boca Juniors ocorrerá no estádio do Maracanãzinho o jogo entre Flamengo e Botafogo pela Liga Nacional de Basquete. Dessa maneira, há evidente risco de segurança pública em permitir a confluência de três torcidas rivais na mesma praça esportiva”, esclareceu a desembargadora.
A magistrada também pontuou que a alteração não inviabiliza o confronto. “A suspensão da decisão não impede a partida; restabelece a situação anterior, na qual o Vasco da Gama dispunha, para cumprir o regulamento da competição, do Estádio Nilton Santos, cuja aptidão para o evento a Polícia Militar atestou e que recebeu, nos últimos dois anos, semifinal da Libertadores, final da Recopa e oitavas de final da Sulamericana”, pontuou.
Reação da diretoria vascaína
Em resposta à medida, o clube de São Januário protocolou um pedido urgente solicitando a reversão da suspensão. A defesa destacou que “mudar o estádio neste momento não significa apenas trocar o endereço da partida. Significa reorganizar um evento internacional que, segundo o clube, já tem 46.014 ingressos comercializados”.
Os representantes do time carioca argumentaram que a alteração forçada exigiria ajustes complexos em setores, acessos, bilhetes, reembolso e na estrutura para cerca de 250 profissionais de imprensa. O planejamento de segurança também seria impactado, visto que há expectativa de trânsito para 50 a 60 ônibus de torcedores visitantes. O clube ainda reforçou que o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) avaliou o Maracanã como alternativa preferencial, embora a Polícia Militar tenha atestado a viabilidade do Nilton Santos.
“Ante o exposto, defiro a liminar para suspender os efeitos da decisão proferida pelo desembargador Marco Antônio Ibrahim nos autos do Agravo de Instrumento, até o julgamento deste mandado de segurança pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça”, concluiu a desembargadora Suely Magalhães.
Agência Brasil




