O cantor de funk Marlon Brendon Coelho Couto, conhecido como “MC Poze do Rodo”, foi preso nesta quarta-feira (15), pela Polícia Federal, suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro através de criptoativos que teria movimentado R$ 1,6 bilhão. A prisão ocorreu no âmbito da operação Narco Fluxo, deflagrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Poze do Rodo foi preso em sua residência em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro. No ano passado, em outra operação policial, ele admitiu que tinha ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
A defesa do funkeiro afirmou que “desconhece os autos ou o teor do mandado de prisão” e que se manifestará quando tiver acesso ao processo — “para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário” (veja na íntegra mais abaixo).
Além de Poze do Rodo, a Polícia Federal prendeu o funkeiro Ryan SP e influenciadores digitais que estavam em uma festa com ele na cidade de Bertioga, no litoral do estado de São Paulo. Sua defesa afirmou que ainda não teve acesso aos processo e que “todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada” (veja na íntegra mais abaixo).
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A operação Narco Fluxo tem como foco desarticular uma associação criminosa suspeita de realizar transações ilegais no Brasil e no exterior, incluindo o uso de criptoativos para ocultar valores. Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava de forma estruturada para esconder a origem ilícita do dinheiro.
Fontes a par da investigação informaram à Gazeta do Povo que a prisão dos dois funkeiros pode ser apenas a ponta de um grande esquema de lavagem de dinheiro, e que novas operações devem ser realizadas a partir da análise de telefones celulares, documentos e outros equipamentos apreendidos.
Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de prisão temporária, dos 39 emitidos, e 45 de busca e apreensão. Segundo imagens divulgadas pela autoridade e informações já divulgadas, entre as apreensões estão carros de luxo avaliados em R$ 20 milhões, objetos de alto valor, armas e munições, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos e um colar dourado com uma imagem do traficante colombiano Pablo Escobar.
De acordo com as investigações, os suspeitos utilizavam um sistema complexo para ocultação e dissimulação de valores, com destaque para operações financeiras de grande porte, transporte de dinheiro em espécie e movimentações com criptomoedas. O volume financeiro total identificado ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e restrições societárias contra os investigados. A intenção é preservar ativos para possível ressarcimento aos cofres públicos e impedir a continuidade das atividades ilícitas.
Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O que dizem os citados
Veja abaixo, na íntegra, o posicionamento da defesa de Poze do Rodo sobre a prisão desta quarta-feira (15):
A Defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.
E o posicionamento da defesa de Ryan SP sobre a operação:
A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada.
Terceira prisão
Esta é a terceira prisão de Poze do Rodo por envolvimento com o crime organizado. Na mais recente, em maio do ano passado, o cantor foi detido por apologia ao crime e suposto envolvimento com o tráfico. Ele admitiu que tinha ligações com o Comando Vermelho.
As investigações que levaram à prisão do MC apontaram “ligação sólida” entre ele e membros da alta liderança da organização criminosa. Segundo os investigadores, foram reunidas evidências robustas que justificaram o pedido de prisão, pelo vínculo com a facção e por propagar o nome e a ideologia do grupo criminoso.
Já em 2019, durante um show na cidade de Sorriso, no estado do Mato Grosso, foi preso também por fazer apologia ao crime. Poze do Rodo e o organizador do evento tentaram fugir das autoridades, mas foram detidos em um hotel com porções de droga e frascos de lança-perfume.
Poze do Rodo é conhecido, ainda, por ostentar uma vida de luxo em seus videoclipes e nas redes sociais, sempre exibindo objetos caros, grandes colares dourados e insígnias.
Créditos Gazeta do Povo
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