Um levantamento acadêmico recente revelou que uma parcela mínima das mensagens de texto enviadas para avisar a população sobre eventos extremos no país continha todos os dados indispensáveis para uma comunicação de risco eficiente. O trabalho examinou mais de 70 mil textos disparados por autoridades de defesa civil entre os anos de 2018 e 2023.
Metodologia e análise dos dados
A investigação foi conduzida por estudiosos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), que examinaram 73.701 avisos cadastrados na base da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O material foi categorizado com base nas diretrizes da Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).
Os dados indicam que a especificação exata do local atingido apareceu em apenas 5,9% dos textos, enquanto a previsão de término do risco esteve presente em 9%. Além disso, a menção aos prejuízos potenciais foi identificada em 7,7% das comunicações analisadas.
O problema da identificação e clareza
A categorização do aviso — se tratava de um alerta, advertência, aviso ou comunicação — ficou ausente em mais de 75% dos textos avaliados. Termos como “alerta” figuravam em apenas 19% dos envios, ao passo que “aviso” e “atenção” apareceram de forma muito reduzida.
“Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta”, explica Luciene Pimentel da Silva, pesquisadora da PUCPR.
Para os autores, a carência desses dados compromete a eficácia das orientações repassadas aos cidadãos.
“Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, acrescenta a pesquisadora da PUCPR.
Desafios tecnológicos e sazonais
O restrição técnica imposta pelo formato de SMS, limitado a 160 caracteres, foi apontada como um obstáculo significativo para detalhar as instruções de segurança. Como solução, o documento sugere a adoção de uma rede diversificada de canais, incluindo ferramentas como Cell Broadcast e aplicativos de mensagens.
“Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno”, afirma o pesquisador Murilo Noli da Fonseca.
Em relação à tipologia dos eventos, 73,6% dos avisos tratavam de precipitações fortes, seguidos por episódios de baixa umidade do ar e ocorrências de granizo. Do ponto de vista geográfico e temporal, a Região Sudeste concentrou a maioria dos disparos, e as estações da primavera e do verão reuniram três quartos de todas as notificações emitidas no período.
Fontes: Estudo “Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil” (PUCPR), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Defesa Civil Nacional. Crédito de imagens e vídeos: Divulgação / Defesa Civil e Banco de Imagens / Depositphotos.
Fonte e Crédito de Imagens: Agência Brasil *repostado afim de propagar a informação, sem fins comerciais




