“Ah, mas o capitalismo não mata de fome?”. Esse é um dos poucos “argumentos” apresentados pela extrema-esquerda quando o assunto são as fomes comunistas do século XX, seja na URSS, seja na China. O único problema desse argumento, além de ele ser uma besteira total, claro, é que o comunismo se coloca como o único remédio para o capitalismo.
E, quando analisamos as políticas fracassadas e brutais dos maiores regimes comunistas da história, vemos a comprovação empírica e científica de que o remédio pode ser muito pior que a doença.
O comunismo surgiu nessas nações para acabar com a fome, mas ele próprio matou de fome milhões a mais do que o capitalismo antes deles. Nunca, na história dessas nações, tantas pessoas morreram de fome como nos governos comunistas. Que coincidência, não?
Já falamos da fome soviética antes; hoje vamos falar sobre a fome chinesa, a catástrofe humanitária mais devastadora dos últimos séculos. Ela ocorreu durante o período conhecido como o Grande Salto Adiante, implementado por Mao Zedong entre 1958 e 1962.
O objetivo oficial era acelerar a transformação da China em uma potência industrial socialista, mas, para a surpresa de zero pessoas, as políticas adotadas acabaram gerando um apocalipse para o povo chinês.
Estima-se que entre 15 e 30 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência da fome, embora os números exatos ainda sejam objeto de debate entre historiadores
Um dos fatores centrais da tragédia foi a reorganização radical da agricultura por meio das chamadas “comunas populares”. Pequenos agricultores foram forçados a abandonar suas terras individuais e trabalhar coletivamente, o que desorganizou a produção e reduziu os incentivos ao trabalho.
Além disso, metas de produção irreais eram impostas pelo governo central, levando autoridades locais a falsificar dados para evitar punições. Como resultado, o Estado requisitava mais grãos do que realmente existiam, deixando a população rural sem alimentos suficientes para sobreviver.
Outro elemento importante foi a tentativa de industrialização acelerada, simbolizada pela produção de aço em fornos improvisados nas áreas rurais. Milhões de camponeses foram desviados do trabalho agrícola para atividades industriais ineficientes, o que agravou ainda mais a queda na produção de alimentos. Ao mesmo tempo, decisões equivocadas — como campanhas contra “pragas”, que acabaram desestabilizando ecossistemas — contribuíram para perdas adicionais nas colheitas.
A fome foi agravada por fatores climáticos, como secas e inundações em algumas regiões, mas a maioria dos historiadores concorda que as políticas governamentais tiveram um papel decisivo. O sistema político autoritário dificultava a transmissão de informações reais até o topo do governo, e críticas eram frequentemente reprimidas. Isso impediu uma resposta rápida e eficaz à crise, prolongando o sofrimento da população.
As consequências humanas foram devastadoras. Milhões morreram de inanição, doenças relacionadas à desnutrição e exaustão.
Relatos de sobreviventes descrevem situações extremas, incluindo abandono de crianças e até episódios de canibalismo em regiões mais afetadas
Além das mortes, houve uma profunda ruptura social e psicológica nas comunidades rurais chinesas.
Após o desastre, houve mudanças significativas na política chinesa. Mao Zedong perdeu parte de sua influência direta na condução econômica, abrindo espaço para líderes mais pragmáticos, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, que implementaram medidas para recuperar a produção agrícola. Embora a fome tenha sido posteriormente reconhecida como um erro grave, ela permaneceu, por décadas, como um tema sensível dentro da China, sendo objeto de controle e debate limitado até hoje.
Se o leitor desejar se aprofundar no assunto, recomendo assistir à entrevista completa no meu canal Brasão de Armas com um dos maiores especialistas globais no tema, o professor Frank Dikotter. Além disso, não deixe de verificar as fontes especializadas na descrição do vídeo.
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