O ministro Guilherme Boulos defende uma taxa mínima de R$ 10 por entrega para aplicativos, gerando um conflito interno no Palácio do Planalto. O governo Lula teme que a medida encareça o serviço para o consumidor e cause desgaste eleitoral às vésperas da corrida de 2026.
O que exatamente Guilherme Boulos está propondo para os entregadores?
O ministro defende que o Projeto de Lei Complementar 152/2025 estabeleça um valor fixo de R$ 10 para corridas de até 4 km, além de um adicional de R$ 2,50 por quilômetro extra. Atualmente, os aplicativos pagam cerca de R$ 7,50 pelo mesmo percurso. A proposta é apoiada por movimentos ligados ao PSOL, mas enfrenta resistência de setores do governo que preferem um valor intermediário, em torno de R$ 8,50.
Quais são os principais riscos apontados pelo governo e pelas empresas?
O principal receio é a inflação do serviço. As plataformas de entrega argumentam que o tabelamento pode encarecer os pedidos em até 30%. No Planalto, aliados do presidente Lula acreditam que o aumento do custo será repassado diretamente ao consumidor final, o que poderia afastar a classe média e a população de baixa renda, transformando uma bandeira trabalhista em um problema político e econômico.
O que dizem as pesquisas sobre a opinião dos brasileiros?
Um levantamento da Quaest mostra que 71% dos brasileiros são contrários à fixação de uma taxa mínima por lei. A pesquisa indica que 78% acreditam que haverá aumento nos preços e 86% avaliam que o impacto maior será sobre os mais pobres. Entre os eleitores independentes, que costumam decidir eleições, a rejeição à proposta chega a 83%, um sinal de alerta vermelho para a estratégia eleitoral do governo.
Como está a relação entre o ministro Boulos e a Uber?
O clima é de confronto. A Uber enviou uma notificação judicial a Boulos após o ministro sugerir que agentes públicos defenderiam as plataformas por interesses indevidos. A empresa exige que ele apresente provas ou cesse as insinuações de corrupção. Boulos, por sua vez, afirmou publicamente que não se deixará intimidar e continua defendendo que as empresas têm lucros altos o suficiente para absorver os novos custos operacionais.
Quais são as outras medidas anunciadas para beneficiar os trabalhadores?
Para tentar reduzir os atritos, foram anunciados pontos de apoio em parceria com o Banco do Brasil. O plano prevê 100 locais com banheiros, água, vestiários e internet, ao custo de R$ 24 milhões. Além disso, portarias visam aumentar a transparência de como as empresas calculam o preço final das corridas, tentando mostrar ao trabalhador e ao cliente como o lucro é distribuído entre a plataforma e o profissional.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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