A jornada da Nvidia, que nasceu em uma lanchonete e se consolidou como a companhia mais valiosa do planeta no setor de inteligência artificial, guarda um segredo corporativo pouco convencional revelado pelo CEO Jensen Huang: a dor e a adversidade.
A superação dos desafios corporativos
O executivo, cuja fortuna pessoal é avaliada em 196 bilhões de dólares, destacou recentemente que a capacidade de tolerar o desconforto é o verdadeiro motor de grandes realizações empresariais. “Ninguém sofre melhor do que eu”, disse Huang em uma conversa com a Korea Society no fim do mês passado. “Para fazer algo extraordinário, você precisa sofrer. Não é um passeio no parque. Se fosse um passeio no parque, qualquer um conseguiria fazer.”
Ao longo de três décadas de trajetória da gigante tecnológica, os obstáculos assumiram diversas formas, desde a inexperiência inicial até a desconfiança generalizada do mercado, de clientes e de parceiros comerciais. “À medida que a empresa avança, surgem contratempos, ou as pessoas não acreditam no seu futuro, ou não acreditam em você”, afirmou Huang. “Talvez o mercado não acredite em você; talvez os clientes não acreditem em você.”
Expectativas baixas e rotina intensa
Para navegar por esse cenário incerto, o líder argumenta que o segredo reside na firmeza mental e na coragem para persistir diante das críticas, cultivando inclusive uma postura de cautela com relação ao próprio sucesso. “É preciso ter resiliência para continuar acreditando em si mesmo”, acrescentou.
A busca incessante por resultados e o temor constante da derrocada moldaram a rotina de trabalho do executivo, que mantém jornadas que cobrem os sete dias da semana, incluindo feriados. “Vocês conhecem a expressão ‘estamos a 30 dias de fechar as portas’? Eu a uso há 33 anos”, disse Huang em um episódio do podcast The Joe Rogan Experience no ano passado. “Mas a sensação não muda. O sentimento de vulnerabilidade, de incerteza, de insegurança, nunca vai embora.”
A visão compartilhada por outros grandes empresários
A perspectiva de que o atrito profissional é um catalisador de crescimento é compartilhada por outros nomes de peso do mercado financeiro e tecnológico, como o megainvestidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates. Para Dalio, a equação do avanço profissional depende diretamente da capacidade de absorver e analisar os momentos difíceis, resumida na premissa de que dor somada à reflexão resulta em progresso.
Na mesma linha, empreendedores do setor de inovação reforçam que os tropeços constantes exigem o abandono de vaidades pessoais para que o aprendizado real aconteça no cotidiano corporativo. “A maior parte disso é destruir o seu ego 24 horas por dia, sete dias por semana”, disse Winston Weinberg, cofundador e CEO da startup de inteligência artificial jurídica Harvey. “Mas é uma forma muito eficaz de aprender.”
Fonte: Portal Info Money




