O assunto em todas as rodas é o que vai dizer Vorcaro. Ele vai ter que dizer tudo. Tudo o que a polícia está descobrindo nos celulares, tudo o que já sabemos, ele terá de confirmar. Não tem condições de omitir nada.
Por exemplo, se há uma mensagem apagada no dia em que ele foi preso pela primeira vez, cujo telefone é do Supremo, ele terá de dizer com quem falou e qual era o conteúdo da mensagem, que se apagou imediatamente depois de ser lida. A pessoa sabia que estava prestando serviços.
Vejam só: anotei aqui pessoas citadas — Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Davi Alcolumbre, Rui Costa, Jaques Wagner e os dois do Banco Central. Ele (Vorcaro) terá de contar o que comprava quando colocou 35 milhões no Taiaçu do Toffoli e o que comprava quando fez um contrato de R$ 129 milhões com a família de Moraes. Isso é apenas uma pequena parte do que já sabemos.
Quem está controlando isso é o ministro André Mendonça, que é o relator.
Parece que foi o destino, Deus, a sorte ou a força das coisas certas que fez com que o caso chegasse às mãos dele, porque, enquanto estava com Toffoli — envolvido —, não podia avançar. Estava tudo blindado, parado há muito tempo. Agora, finalmente, andou e cada vez mais coisas aparecem.
Filhos de autoridades mantiveram relação com Master
Agora, estamos vendo no Estadão, além das histórias sobre a irmã e o filho do ministro Nunes Marques, também o filho de 26 anos de Arthur Lira, que abriu, no ano passado, uma empresa com capital de R$ 100 mil e já recebeu R$ 250 mil da J&F, segundo o COAF e conforme aparece na CPMI da Previdência (INSS).
Estamos vendo que houve uma grande distribuição de dinheiro por parte de grandes empresas que têm negócios e dependem de decisões de políticos ou de juízes. É preciso expor tudo isso, essa gente desonesta, como disse o próprio relator André Mendonça, na OAB do Rio de Janeiro, na sexta-feira. Ele afirmou que é preciso fazer o certo pelos motivos certos e que os advogados devem entender que o dinheiro é importante, mas mais importante é fazer a coisa certa, seguir os princípios que norteiam a ética e a vida das pessoas honestas.
Há o certo e o errado. Há o bem e o mal. E há pessoas que escolhem ficar do lado do mal.
Estamos esperando, para esta segunda-feira, o depoimento da namorada de Vorcaro, mas, teoricamente, seria muito mais importante um depoimento de dona Viviane, para explicar o porquê desse contrato. De todo modo, como ele está fazendo a delação, ele próprio deverá explicar o que esperava desse contrato e o que foi prestado por parte dele.
Aliados de Lula dialogavam com Vorcaro
O presidente da República disse que o “ovo da serpente” foi gerado no governo Bolsonaro. Não. Todo mundo sabe onde isso foi gerado: naquele Credcesta, com 250 mil cartões que cobravam 6% ao mês, empréstimos consignados em folha garantidos. Eu vi a exposição de Vorcaro em Nova York, em 15 de maio de 2024, mostrando o Credcesta como parte do Master, com governadores da Bahia apoiando.
Isso deu força para Jaques Wagner indicar Guido Mantega para receber 1 milhão por mês do Master e levar todos para Lula. O atual presidente do Banco Central, Mantega, Jaques Wagner, Vorcaro e Rui Costa estavam conversando — estava tudo muito bem alinhado.
Alvo da Lava Jato aparece em novo escândalo financeiro
O interessante é que há mais uma notícia na revista Piauí: outro banco pequeno ligado à Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, que não está bem — o banco Digimais. O atual presidente do Digimais é Aldemir Bendine, que foi preso na Lava Jato. Ele foi presidente do Banco do Brasil e teria recebido R$ 3 milhões da Odebrecht — ou solicitado esse valor — quando presidia a Petrobras.
É algo impressionante. Parece estar na natureza dessas pessoas a inclinação para a corrupção. Não conhecem a diferença entre bem e mal, da qual falou o pastor e ministro André Mendonça outro dia.
É isso que temos pela frente. Isso é o que é gerado nas urnas. Nós geramos isso nas urnas como eleitores.
Nunes Marques e Mendonça darão o tom das eleições
Zema está se movimentando para se candidatar; Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, também. Estão se preparando.
Para que se saiba, a partir de junho haverá três ministros do Supremo no Tribunal Superior Eleitoral. O presidente do TSE será Nunes Marques; o vice-presidente, André Mendonça; e o terceiro será Toffoli, se ainda estiver no Supremo. Além deles, há dois ministros do STJ e dois representantes da advocacia, dois juristas.
É assim que se compõe o TSE, que vem com a experiência recente que tivemos, em que uma campanha eleitoral era contida e a outra era liberada, para dizer o mínimo.
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