Pouco mais de 1,2 mil escolas públicas brasileiras, com 75 mil estudantes, não tinham acesso à água em 2025. As unidades de ensino atendiam principalmente alunos negros e estavam na zona rural.
Os dados são do UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, e foram divulgados nesta quinta-feira, 19, antecipando o Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março. O levantamento tem como base dados do Censo Escolar 2025, do IBGE.
Apesar de elevado, o número representa uma redução de 52% em relação a 2024, quando foram registradas 2.512 escolas sem nenhum acesso à água. Com isso, mais de 100 mil crianças e adolescentes passaram a ter acesso a esse bem essencial.
O oficial de Água, Saneamento e Higiene do UNICEF no Brasil, Rodrigo Resende, detalha quem são os mais prejudicados neste cenário.
“As escolas sem acesso à água atendiam prioritariamente estudantes negros, cerca de 63%, o que, efetivamente, evidencia a sobreposição entre desigualdades raciais e territoriais. Estudantes indígenas também representam um grupo relevante nesse contexto, 13%, e aí especialmente nas áreas rurais e também na Amazônia Brasileira”.
Rodrigo Resende destaca ainda a queda significativa no número de escolas que estavam sem esse serviço básico no ano passado.
“Houve uma redução significativa em relação ao número dessas escolas sem acesso à água, passando de pouco mais de 2,5 mil escolas, em 2024, para 1.203 escolas em 2025. A partir dessa redução, cerca de 100.000 crianças e adolescentes passaram a ter acesso à água na escola, um bem essencial para se garantir, efetivamente, o direito à educação e promover a saúde e bem-estar de nossas crianças e adolescentes no ambiente escolar”.
A situação também tem impactos diferentes para meninas e meninos. Estar em uma escola sem água deixa as meninas mais vulneráveis, especialmente no período menstrual, enfrentando dificuldades para a realização da higiene íntima. Além disso, a situação exige muitas vezes deslocamentos das alunas para ter acesso à água em outros locais, gerando maior risco de violências.
Em nota, o Ministério da Educação informou que a maior parte do desafio para levar acesso à água se dá em escolas localizadas em regiões rurais e que o percentual, entre essas escolas, também caiu pela metade entre 2024 e 2025. A nota destaca, ainda, que a redução dos números se deve a várias iniciativas do ministério, entre elas o projeto “Sede de Aprender”, realizado em parceria com diversas instituições e que foca na fiscalização da infraestrutura básica das escolas; o aumento do financiamento das redes de ensino; e o programa “Dinheiro direto na escola equidade”, que tem transferido recursos diretamente às escolas púbicas, para executar ações de melhoria da infraestrutura física.
*Com reportagem de Carolina Pessôa
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil



















