O avanço do crime organizado na Amazônia Legal tem provocado mudanças preocupantes no tráfico de drogas e no cotidiano das comunidades locais, segundo a 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia. A pesquisa aponta o surgimento de “minicracolândias” e o aumento do consumo de óxi, droga considerada ainda mais forte que o crack, principalmente em cidades da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, como Tabatinga e Benjamin Constant. O levantamento indica que ao menos 17 facções atuam na região, com presença em quase metade das 772 cidades amazônicas, com destaque para o Comando Vermelho e o PCC.
O óxi, subproduto da cocaína misturado com substâncias químicas de baixo custo, tem sido apontado como fator de desestruturação familiar e recrutamento precoce de jovens para o crime. Comunidades indígenas do Alto Solimões relatam aumento do microtráfico, consumo de drogas e violência doméstica, além do aliciamento de adolescentes entre 12 e 16 anos.
O estudo também registra espaços de uso contínuo de drogas que incluem mulheres com crianças pequenas, ampliando a sensação de insegurança e agravando conflitos sociais nas cidades da região.
MILTON DE SÁ, de CAMPO GRANDE(MS)



















