Um em cada cinco brasileiros de 12 a 17 anos sofreu, em apenas um ano, algum tipo de violência sexual, facilitada pela tecnologia. O número representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas desse crime. A informação é de um estudo do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado nesta quarta-feira (4). 
Foram ouvidas mais de mil crianças e adolescentes, e também mil responsáveis, em todo o país, além de profissionais do sistema de Justiça e vítimas que enfrentaram esse tipo de violência quando eram menores de idade.
Realizado entre novembro de 2024 e março do ano passado, o estudo “Enfrentando Violências no Brasil: evidências sobre exploração e abuso sexual infantil facilitadas pela tecnologia” mostra que a maior parte dos abusos acontece por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online. O Instagram e o WhatsApp aparecem como os principais ambientes usados pelos agressores.
Entre as situações mais comuns, quase metade dos casos, 49%, foi cometida por alguém conhecido da vítima. A especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, avalia que o fato de uma parte importante dos ataques partir de pessoas conhecidas se deve à relação de confiança que o agressor estabelece com a vítima.
“Pra fazer esse contato inicial, conhecer a vítima ajuda nessa conexão inicial. Pessoa acha o perfil de uma criança que conhece na rede social. Muitas vezes esse perfil é fechado, a pessoa faz o pedido pra conectar e aí começa essa interação a partir daí. Isso é algo que a gente presume, mas a gente sabe que nessas interações é muito mais provável a criança aceitar a solicitação de alguém que ela saiba quem é, do que de um estranho completo”.
O relatório apurou também que 34% das vítimas esconderam a agressão. Entre os motivos estão desconhecimento sobre onde buscar ajuda, constrangimento, vergonha e medo de não serem acreditadas.
O Unicef também chama atenção para um fenômeno recente: 3% das vítimas relataram que tiveram imagens ou vídeos sexualizados criados com inteligência artificial, usando a própria aparência.
Alguns dos efeitos são o fato de crianças e adolescentes enfrentarem culpa, altos índices de ansiedade, automutilação e até pensamentos ou tentativas de suicídio.
Créditos Rádio Nacional/ Agência Brasil


















