Marcado para o dia 3 de março de 2027, o julgamento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro colocará no banco dos réus Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva, de 20 anos, e Gabriel Utrini da Veiga Carvalho Silva, de 24. Eles responderão por homicídio qualificado, associação criminosa e corrupção ou facilitação de corrupção de menor após planejarem um atentado com coquetéis molotov contra um homem em situação de rua.
Detalhes da violência na Zona Oeste
O crime ocorreu por volta de 1h da manhã, em fevereiro do ano passado, no bairro da Pechincha, localizado em Jacarepaguá. Na ocasião, um adolescente de 17 anos arremessou os artefatos incendiários enquanto a vítima dormia. Ludierley Satyro José, de 46 anos, sofreu queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo, mas sobreviveu após ser socorrido no Hospital Municipal Lourenço Jorge. A ação foi filmada e transmitida em tempo real em plataformas digitais por Miguel Felipe, que na época atuava como soldado do Exército.
Desafio em rede social e motivação
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio, a agressão teve origem em um desafio lançado em uma comunidade na plataforma Discord. Conforme o órgão ministerial, Gabriel prometeu pagar a quantia de R$ 2.500 para que o militar e o adolescente executassem o ato e transmitissem tudo na internet. Dos 2.500 reais prometidos, R$ 250 já haviam sido entregues aos executores antes da captura.
Investigação e perfil dos acusados
A Polícia Civil apontou que o menor de idade integrava um núcleo voltado à propagação de crimes de ódio na web, esquema que já era acompanhado de perto pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). O soldado buscava notoriedade e validação nas redes sociais. Na delegacia, de acordo com o delegado titular da Decav, Cristiano Maia, o militar afirmou friamente “sentir prazer em ficar na frente do computador consumindo conteúdo de violência e pornografia infantil”.
Tanto o militar quanto o adolescente frequentavam ambientes virtuais extremistas, incluindo células neonazistas. Miguel Felipe foi detido temporariamente logo após o crime, e a ordem de prisão foi convertida em preventiva posteriormente.
Prisões e desdobramentos judiciais
Em março de 2025, agentes da Dcav localizaram e prenderam Gabriel em uma residência situada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Já o adolescente envolvido foi apreendido três meses depois no município de Camaragibe, em Pernambuco.
Ao manter a prisão preventiva dos réus Miguel Felipe e Gabriel, a juíza Lucia Mothe Glioche destacou a gravidade da conduta. “Os crimes descritos na denúncia e imputados aos acusados são de extrema gravidade e geraram, na Cidade do Rio de Janeiro e, quiçá, em todo o País, grande repercussão. A transmissão, em tempo real, do crime fez com que ele chegasse ao conhecimento de muitos. A liberdade dos acusados pode repercutir negativamente na Cidade e no País, gerando a sensação de impunidade, despertando a possibilidade de que novos atos deste tipo venham a ser praticados, ao vivo e por meio de rede social, atacando pessoas que estão em situação de rua e de vulnerabilidade”, justificou a magistrada na decisão.
Fonte: Portal Extra




